Olhar o futuro sem medo - Um artigo acerca do Stresse Ansiedade e Depressão

Olhar o futuro sem medo - Um artigo acerca do Stresse Ansiedade e Depressão

Olhar o futuro sem medo - Um artigo acerca do Stresse Ansiedade e Depressão

"Stresse, Ansiedade e Depressão: Olhar o Futuro sem Medo" é um artigo do Psicólogo Clínico e da Saúde João Borges Lopes*, especialista da Polidiagnóstico Marinha Grande, que partilhamos com os nossos utentes dada a relevância do tema nos dias de hoje:

As perturbações de ansiedade são as perturbações mentais mais comuns em todo o mundo. Estima-se que 33,7% das pessoas sofrem de ansiedade nalguma fase da sua vida. Portugal é dos países, a nível mundial, com maior prevalência de perturbações mentais.

Em 2014, Portugal foi considerado um dos países europeus com maior prevalência de perturbações mentais, destacando-se as perturbações de ansiedade e de humor. Mais recentemente, os dados publicados pela Direção-Geral da Saúde indicaram resultados idênticos, demonstrando que Portugal é um dos países europeus com maior prevalência de perturbações mentais, sobretudo de ansiedade (16.5%) e depressivas (7.9%).

A ansiedade é um estado de humor orientado para o futuro associado à preparação para a possibilidade de ocorrência de um acontecimento negativo, no qual o medo é a resposta de alarme ao perigo eminente ou presente, real ou percebido. A ansiedade pode também ser entendida como uma resposta adaptativa do organismo, caraterizada por um conjunto de alterações fisiológicas, comportamentais e cognitivas, que se traduzem num estado de ativação e alerta face a um sinal de perigo ou ameaça à integridade física ou psicológica. Contudo, a ansiedade pode tornar-se patológica quando deixa de ser adaptativa, isto é, quando o perigo a que pretende responder não é real ou quando o nível de ativação e duração são desproporcionais face à situação objetiva.

A depressão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, pode ser entendida como uma perturbação caraterizada pela tristeza, perda de interesse e prazer, sentimentos de culpa e baixa autoestima, perturbações do sono e/ou de apetite, cansaço excessivo e baixa concentração. Esta pode ser entendida enquanto estado afetivo, sintoma e síndrome.

A depressão representa a tristeza normal da vida psíquica que, quando em níveis muito elevados, constitui-se como um sinal de alerta para o desenvolvimento de estados depressivos. Enquanto sintoma, a depressão pode surgir como uma manifestação secundária de outras perturbações físicas e/ou mentais. Por fim, enquanto síndrome, a depressão inclui alterações de humor, tais como, tristeza, irritabilidade, ausência de capacidade para sentir prazer, e apatia. Os estados depressivos são ainda caraterizados por sentimentos de vazio, redução do interesse pelo ambiente externo, e alterações psicomotoras e vegetativas, tais como sensação de fadiga e perda de energia, e lentificação dos movimentos.

Os acontecimentos de vida stressantes podem precipitar episódios de ansiedade e de depressão, bem como levar a respostas caraterísticas de stresse. O stresse pode ser entendido como um processo complexo gerado por uma resposta não específica do indivíduo a um stressor interno ou externo. A resposta de stresse produz alterações cognitivas, comportamentais e fisiológicas, e depende da discrepância entre a forma como o indivíduo perceciona o stressor e como perceciona a sua capacidade para lidar com o mesmo.

Passo a descrever a resposta orgânica aos stressores como Síndrome de Adaptação Geral, a qual possui três fases:

  • A primeira, chama-se Alerta, é considerada a fase na qual o indivíduo ganha energia devido à produção de adrenalina, assegurando a sobrevivência.
  • A segunda, designa-se por Resistência, a fase em que o indivíduo tenta lidar automaticamente com os stressores de forma a manter a homeostasia. 
  • A terceira e última fase chama-se Exaustão, que ocorre quando os fatores de stresse persistem em frequência e intensidade, ocorrendo uma quebra da resistência. É nesta última fase que surgem frequentemente perturbações físicas e psicológicas, tais como enfarte, depressão e ansiedade.

Em níveis moderados, o stress:

  • capacita o indivíduo para lidar com situações de mudança e adversas;
  • proporciona uma melhor perceção dessas situações e das suas consequências;
  • permite um processamento mais rápido da informação e capacidade de resolução de problemas;
  • e, aumenta a motivação, energia e produtividade.

Em contrapartida, o stresse, em níveis elevados:
tem consequências sérias no bem-estar dos indivíduos resultando, com frequência, em:

  • cansaço mental;
  • dificuldade de concentração;
  • perda de memória imediata;
  • crises de ansiedade e de humor;
  • doenças físicas devido à diminuição do funcionamento imunitário.

Em função do quadro teórico apresentado, importa sugerir algumas orientações relacionadas com as problemáticas do stresse, ansiedade e depressão, no sentido de promover e desenvolver a Educação para a saúde mental e Psicológica em Portugal:

  • A vida tem de ser vivida e não sofrida;
  • A mesma é constituída por áreas específicas, nomeadamente, a parte individual, pessoal, familiar, social e profissional;
  • Muitas pessoas esquecem-se e apenas valorizam uma ou outra, relativizando as restantes, por diversos motivos;
  • Muitos quadros clínicos associados ao stresse, ansiedade e depressão, derivam de uma palavra que se chama Relação. As dificuldades de saber lidar com este processo psicológico relacional encaminha, muitas pessoas, para cenários difíceis de resolução.

Reconhecemos, hoje em dia, que a pandemia COVID-19 alterou atitudes e comportamentos, nos diferentes contextos da sociedade portuguesa e do mundo. A segurança é uma arma eficaz para enfrentar qualquer adversidade na vida. Mais importante é a prevenção e a imunidade, quer no âmbito biológico quer psicológico. Para além do sistema imunitário biológico que, nos protege de vírus e de bactérias, existe o sistema Psiconeuroimunológico ou Sistema Psiconeuroimunoendócrino, que nos protege dos vírus e das bactérias psiconeuropsicológicas.

Devido aos défices de imunidade psicológica (resiliência psicológica), é difícil para a maioria das pessoas saberem lidar com situações que se traduzem, mais tarde, em perturbações psicológicas.

Desde o acordar até ao deitar, diariamente as pessoas estão expostas a fatores ambientais e relacionais que influenciam o sistema psicológico humano, provocando danos que podem ser agudos ou crónicos.

Usando a metáfora, o stresse é como a água do mar que se agita, provocando ondas de elevado porte, que sobem e descem, como a ansiedade. A força de enfrentar essas ondas e a incapacidade de as poder vencer - enrolando as pessoas para o mar - será a depressão seguida de suicídio, onde o limite das forças se impõe e as capacidades de agir se enrolam nas altas ondas de mar, cujo destino dessas pessoas ao mar pertence.

A segunda metáfora, relacionada com a doença mental: ao longo da vida, as pessoas viajam num comboio com diferentes ligações e algumas perturbações, nas quais há dificuldade de adaptação (stresse), cuja velocidade na linha é mais baixa e mais alta (ansiedade) sem observar os sinais, verde, amarelo e vermelho, levando muitos a viajar até ao fim da linha sem continuidade (depressão / suicídio), cujos danos psicológicos ficarão para o resto da vida.

Em alguma altura da vida, as pessoas já sentiram stresse, ansiedade, estados depressivos, traumatizadas, transtornados ou desesperados. É perfeitamente normal existirem momentos difíceis ou fases na vida em que as pessoas se sentem em pânico ou deprimidas, quer tenham uma doença diagnosticável ou não. A forma de responder a esses desafios faz toda a diferença na maneira como o sentimento se produz no imediato ou a longo prazo.

Muitos desejam que a dor pare rapidamente. Infelizmente, muitas pessoas automedicam-se ou usam estratégias pouco credíveis para tentarem ultrapassar as suas dificuldades, a sua dor e o seu sofrimento psicológico.

Chegou o momento de alertar para os sinais da linha, cujas cores verde, amarelo e vermelho têm um significado de agravamento da condição psicológica em cada pessoa.

Muitas pessoas não recorrem a ajuda, adiando uma situação que poderá ser facilmente ultrapassada.

Existem hoje, métodos psicoterapêuticos eficazes, que poderão certamente ajudar as pessoas a prevenir e a resolver situações clínicas simples ou complexas. A qualidade de vida das pessoas, a saúde mental e neuropsicológica, depende essencialmente da qualidade de vida cerebral que habitualmente as pessoas promovem ao longo da vida.

“ É nos momentos mais sombrios da nossa vida que temos de nos focar para ver a luz.” - Atribuído a Aristóteles


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Dr. João Borges Lopes |  Polidiagnóstico Marinha Grande

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde Neuropsicológica e Ocupacional

Ordem dos Psicólogos Portugueses | Doutorado em Psicologia Clínica | Universidade de Évora – Portugal | Professor e Investigador do Ensino Superior Universitário

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