As Micotoxinas e seu impacto na saúde infantil através da alimentação

As Micotoxinas e seu impacto na saúde infantil através da alimentação

As Micotoxinas e seu impacto na saúde infantil através da alimentação

Micotoxinas são toxinas naturais produzidas por fungos (pertencentes, na sua maioria, aos géneros Aspergillus Fusarium e Penicillium. Resistem ao processamento industrial e culinário, e podem ter efeitos prejudiciais para a saúde humana devido à sua toxicidade. Em especial para as crianças, logo nos seus primeiros anos de vida.

 

 

VIAS DE EXPOSIÇÃO

A principal via de exposição às micotoxinas é a alimentar. Pode ocorrer diretamente através do consumo de alimentos contaminados (geralmente de origem vegetal) ou indiretamente pelo consumo de alimentos (ovos, leite e derivados), provenientes de animais que consumiram rações contaminadas com estes compostos químicos. Existem, no entanto, outras vias de exposição relativamente importantes incluindo a inalação de esporos com micotoxinas e a via dérmica (pele).

 

IMPACTO NA SAÚDE

Os efeitos tóxicos das micotoxinas podem provocar perturbações nos sistemas digestivo e imunitário, afetar os rins e promover o desenvolvimento de cancro Como tal, tendo em conta as implicações na saúde humana, as micotoxinas foram classificadas pela Agência Internacional de Investigação em Cancro em função da sua carcinogenicidade:

- no Grupos 1 (Carcinogénico para humanos),

 - no Grupo 2 B (Carcinogénico provável para humanos)

- no Grupo 3 (Não classificável quanto à sua carcinogenicidade para humanos)

 

ALIMENTOS SUSCETÍVEIS DE CONTAMINAÇÃO

As micotoxinas podem contaminar uma grande diversidade de produtos alimentares, incluindo cereais, frutos como maças e uvas, sementes, frutos secos e vegetais secos, antes e após a colheita, no decurso da armazenagem. Dependendo das espécies de fungos, os bolores podem desenvolver-se sob uma vasta gama de condições ambientais - especialmente em climas temperados como o nosso e tropicais – e produzir micotoxinas.

 

MICOTOXINAS NA ALIMENTAÇÃO INFANTIL

Estudos efetuados no Departamento de Alimentação e Nutrição, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no âmbito do projeto MYCOMIX (PTDC/DTP FTO/ 0417 2012, sobre a presença e avaliação da exposição de crianças Portuguesas a micotoxinas em alimentos, revelaram a ocorrência destes compostos em 94% dos cereais de pequeno almoço, cereais infantis e biscoitos analisados. De referir que a sua presença é em valores inferiores aos teores máximos legislados, que são objeto de controlo em programas nacionais de monitorização.

A avaliação da exposição, através de dados de ocorrência e consumo, revelou que as crianças que consomem elevada quantidade deste grupo de alimentos poderão estar expostas a micotoxinas em quantidades superiores ao aceitável, pelo que se sugere diversidade nos alimentos consumidos.

Os cereais, em geral, são alimentos de elevado valor nutritivo e importantes no crescimento das crianças. Verificou-se que cerca de 92% das crianças estudadas consumiam um ou mais produtos à base de cereais, pelo menos uma vez em cada 3 dias, de acordo com o registo do seu diário alimentar. Em concreto:

- 40% consumiam cereais pequeno almoço não legislados como alimentação para crianças;

- 65% consumiam cereais para crianças;

- e 65% consumiam biscoitos para crianças.

Daí ser tão importante promover estudos de avaliação de risco-benefício dos alimentos que integram uma dieta infantil equilibrada, com vista a promover melhores escolhas alimentares.

No seguimento dos dados obtidos no MYCOMIX sobre consumo infantil de cereais, o projeto RiskBenefit 4 EU desenvolveu uma ferramenta que permitiu avaliar, pela primeira vez, o risco-beneficio dos cereais consumidos pelas crianças Portuguesas integrando dados de toxicologia, microbiologia e nutricionais.

Num cenário de alterações climáticas, como o previsto pela comunidade científica, é expectável que a nível mundial e na Europa, a ocorrência de micotoxinas em alimentos possa aumentar. Isto por que os fungos poderão encontrar condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento e à produção de toxinas. Assim, é fundamental monitorizar a ocorrência nos alimentos e a exposição humana a estes contaminantes.

A exposição a micotoxinas nos primeiros 1000 dias de vida tem sido associada a alterações de saúde, constituindo um domínio emergente de pesquisa. Neste contexto e tendo em conta os resultados mencionadas sobre a exposição das crianças Portuguesas a múltiplas micotoxinas através da alimentação, e o risco associado, o INSA está a desenvolver o projeto earlyMYCO (PTDC/MED TOX/ 28762 2017 financiado pela FCT, cujo objetivo é estudar o impacto de uma exposição precoce a micotoxinas na saúde da criança e do futuro adulto.

 Fonte: Departamento de Alimentação e Nutrição do INSA

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